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Tireoide: como manter a saúde dessa glândula em dia?

Publicado em 17 de novembro de 2021.

Há alguns anos era comum que se encontrasse algumas pessoas que apresentavam uma protuberância na região do pescoço, o chamado bócio (ou popularmente chamado “papo”). Frequentemente, tal alteração nessa região ocorria devido a problemas relacionados à glândula tireoide. Atualmente, essa cena é rara – o que não quer dizer que os problemas da tireoide foram extintos. Isso se deve ao aprofundamento do conhecimento sobre a base dessas doenças, bem como ao avanço nas alternativas de tratamento. Mas você sabe quais são as alterações que podem ocorrer na funcionalidade da tireoide e de que maneira é possível preservar a saúde dessa glândula? Saiba mais nessa publicação.

O que é tireoide e qual a sua função?

A tireoide (do grego, thyreos = “escudo” e eidos = “forma”) é uma das maiores glândulas do corpo humano e está localizada na porção inferior do pescoço, imediatamente acima da traqueia. Pesa entre 15 e 25 g em um indivíduo adulto saudável e é constituída por duas partes unidas, o que confere à glândula um formato de borboleta. Dois tipos de células são encontradas na tireoide: as células C (que secretam a calcitonina, um hormônio regulador de cálcio) e as células foliculares (que sintetizam os hormônios tireoidianos triiodotironina e tiroxina, conhecidos como T3 e T4, respectivamente).

Os hormônios T3 e T4 são sintetizados após a captação de iodo pela glândula tireoide. Este mineral é incorporado à tirosina e, em seguida, une-se com a tireoglobulina formando a 3-monoiodo-L-tirosina (MIT) e a 3,5-diiodo-L-tirosina (DIT). A síntese de T4 (a forma menos bioativa dos hormônios tireoidianos) envolve a fusão de duas moléculas de DIT, enquanto a formação de T3 (a forma mais bioativa destes hormônios) ocorre a partir da fusão de uma molécula de DIT e uma de MIT ou, ainda, através da desiodação de T4. Esses hormônios são liberados mediante a secreção do hormônio tireoestimulante (TSH) pela hipófise, e estão envolvidos em diversas funções biológicas – tais como controle da taxa metabólica, do gasto energético e consumo de oxigênio pelas células, dos batimentos cardíacos, dos movimentos intestinais, do tônus muscular, da regulação dos ciclos menstruais, do humor e da atividade cerebral. Dada a importância desses hormônios em diferentes processos no organismo, disfunções da tireoide que acarretam na diminuição ou excesso da produção e liberação de hormônios tireoidianos – quadros clínicos conhecidos como hipo ou hipertireoidismo, respectivamente – impactam diretamente a saúde do indivíduo. Essas doenças são frequentemente causadas por distúrbios autoimunes.  1,2

Anatomia da tireoide e síntese dos hormônios tireoidianos T3 e T4.

 

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é caracterizado por uma redução da produção de hormônios tireoidianos. A causa do hipotireoidismo pode ser primária (decorrente de uma resposta autominune que prejudica a função da própria glândula tireoide, também denominada tireoidite de Hashimoto) ou secundária (quando está relacionado a prejuízos da secreção de hormônios pelo hipotálamo ou pela glândula pituitária).

Na tireoidite de Hashimoto, o organismo produz anticorpos que danificam a tireoide, gerando inflamação local e diminuindo a síntese e liberação dos hormônios T3 e T4 por esta glândula. Embora ainda não se saiba ao certo o que estimula o organismo a produzir anticorpos contra as células da tireoide, alguns estudos apontam que fatores genéticos, infecções virais ou bacterianas, a exposição a certos medicamentos ou a um excesso de iodo estejam envolvidos nesse processo. Além da tireoidite de Hashimoto, outras causas de hipotireoidismo primário – não relacionadas a alterações autoimunes – incluem o uso de alguns medicamentos, a radioterapia na região do pescoço ou cabeça, cirurgias da tireoide e deficiência de iodo (condição em que há aumento do tamanho da tireoide, porém menor quantidade de T3 e T4). Já os quadros de hipotireoidismo secundário relacionados a distúrbios na secreção dos hormônios hipotalâmicos ou hipofisários podem ser decorrentes da presença de tumores nessas áreas, resistência ao TSH ou do uso de medicamentos que atuem no sistema nervoso central.

De maneira geral, em todos esses casos os sintomas ou manifestações clínicas do hipotireoidismo incluem:

  • Aumento do peso corporal;
  • Alterações metabólicas, como aumento dos níveis de glicose e colesterol;
  • Intolerância ao frio;
  • Apatia facial (redução das expressões faciais);
  • Fala lenta e rouca;
  • Pálpebras caídas;
  • Inchaço na face e nos olhos (conhecida como “cara de lua cheia”)
  • Afinamento do cabelo;
  • Ressecamento da pele e cabelos.

Além destes sintomas, que geralmente levantam as primeiras suspeitas para alterações na função da glândula tireoide, o hipotireoidismo é confirmado através da verificação do aumento dos níveis de TSH acompanhado da redução de T3 e T4 no sangue – visto que devido à similaridade dos sintomas, muitas vezes, o quadro clínico pode ser confundido com depressão. 1,3,4

Hipertireoidismo

O hipertireoidismo é caracterizado por uma produção excessiva de hormônios tireoidianos e, frequentemente, também está associado a um distúrbio autoimune – conhecido como Doença de Graves – que se manifesta em pessoas jovens. Nessa doença, os anticorpos produzidos pelo sistema imune estimulam a glândula a produzir e secretar T3 e T4 em excesso. Quando se manifesta em uma idade mais avançada, é comumente associado com o bócio nodular tóxico (também conhecido como doença de Plummer), sendo caracterizado pela presença de nódulos que produzem hormônios tireoidianos independente da sinalização de TSH. Outras causas menos comuns também podem levar ao desenvolvimento do quadro de hipertireoidismo, tais como inflamação da glândula tireoide decorrente de infecções virais ou no período pós-parto. Ainda, a hiperativação da hipófise também pode superestimular a glândula tiroide, levando ao hipertireoidismo.

As manifestações clínicas do hipertireoidismo incluem:

  • Intolerância ao calor;
  • Sudorese excessiva;
  • Aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial;
  • Palpitações devido a ritmos cardíacos anormais (arritmias);
  • Tremores;
  • Nervosismo e ansiedade;
  • Insônia;
  • Aumento do apetite e perda de peso;
  • Aumento da agitação, apesar da fadiga e fraqueza;
  • Alterações no ciclo menstrual.

No quadro de hipertireoidismo, quando há um aumento de T3 e T4, naturalmente ocorre uma inibição da liberação de TSH. Desta maneira, o diagnóstico é confirmado com a mensuração dos níveis do hormônio TSH no sangue. Além disso, também pode ser realizado o teste de cintilografia ou captação de iodo radioativo, o qual avalia a quantidade de iodo captada pela tireoide, dando uma ideia da atividade da glândula, bem como da causa da doença. Quando associada à doença de Graves ou ao bócio nodular tóxico, ocorre um aumento significativo da captação de iodo pela tireoide. O manejo do hipertireoidismo é essencial para evitar suas possíveis complicações, as quais incluem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e distúrbios de humor. 1,4,5

Principais manifestações clínicas observadas nos distúrbios da tireoide.

 

Quais os tratamentos para cada condição?

O tratamento do hipotireoidismo consiste na reposição dos hormônios T3 e T4, que pode ser realizada através do uso de liotironina sódica ou levotiroxina sódica, respectivamente, bem como do uso de extratos da glândula tireoide porcina. Usualmente, o ajuste de dose é necessário até que os sintomas sejam amenizados, mas após esse período, o medicamento é capaz de melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.

O tratamento do hipertireoidismo, por sua vez, pode ser dividido em sintomático e definitivo. O tratamento sintomático consiste no manejo dos sintomas relacionados ao aumento de T3 e T4 (como palpitações, ansiedade e tremores), geralmente realizado com fármacos beta bloqueadores e bloqueadores de canais de cálcio – medicamentos também utilizados para o tratamento da hipertensão e doenças cardiovasculares. O tratamento definitivo consiste no tratamento medicamentoso com tianomidas (os quais reduzem a produção de hormônios tireoidianos), terapia de iodo radioativo (que induz a destruição das células da tireoide), e a remoção cirúrgica total ou parcial da glândula. Ambos os tratamentos definitivos apresentam grande potencial para induzir hipotireoidismo. 3,5

Como manter a saúde da tireoide?

Uma vez que o desenvolvimento de disfunções da tireoide está relacionado principalmente com doenças autoimunes, algumas estratégias nutricionais que reduzem a resposta autoimune (como a redução do consumo de glúten e açúcares refinados) parecem reduzir e amenizar o desenvolvimento da Doença de Graves e da tireoidite de Hashimoto. 6,7

Adicionalmente, tem sido demonstrado que a deficiência de alguns micronutrientes essenciais para a funcionalidade tireoidiana pode estar relacionada com o desenvolvimento de doenças da tireoide.  Dentre estes micronutrientes se destacam o iodo, a tirosina, o selênio e a vitamina D. Conforme descrito acima, o iodo e a tirosina são requeridos para a síntese dos hormônios T3 e T4. Já o selênio é um mineral que desempenha um papel importante de estabilização de enzimas antioxidantes, o que auxilia na homeostase dos hormônios tireoidianos, bem como na regulação da resposta inflamatória e imune na glândula tireoide. Além disso, já foi demonstrado que a deficiência de selênio pode levar à elevação dos níveis de TSH e prejudicar a função tireoidiana, enquanto que a suplementação de selênio na forma de selenometionina é uma estratégia eficiente para reduzir os anticorpos que danificam esta glândula. A vitamina D, por sua vez, tem um papel importante no controle da função imune, e sua propriedade imunomoduladora tem sido amplamente explorada. Estudos demonstram que pacientes que desenvolvem hipotireoidismo apresentam níveis reduzidos de vitamina D na circulação sanguínea, fator que pode contribuir para a hipofunção da glândula tireoide. 

 Assim, a manutenção dos níveis de iodo, tirosina, selênio e vitamina D podem contribuir para a manutenção da função da tireoide, bem como auxiliar na prevenção de disfunções dessa glândula. 7,8

 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

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