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Setembro Amarelo: a importância do cuidado com a saúde mental

Publicado em 06 de setembro de 2021.

Embora ainda seja considerado um tabu para muitas pessoas, é preciso ressaltar a importância de falar sobre saúde mental e prevenção contra o suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS), quase 800 mil pessoas cometem suicídio por ano. Dados estatísticos alarmantes apontam que a cada 40 segundos uma pessoa tira sua própria vida, sendo esta uma das principais causas de mortalidade entre os jovens em todo o mundo. No Brasil, são registrados aproximadamente 12 mil suicídios todos os anos, sendo a grande maioria de jovens com idade entre 15 e 29 anos – perda que também provoca um dano direto e irreparável sobre o bem-estar de familiares e amigos destes indivíduos, tornando muito difícil a mensuração real do impacto do suicídio na sociedade.

Estima-se que cerca de 97% dos casos de suicídio estejam associados a transtornos psiquiátricos (como depressão e transtorno bipolar), sendo que 9 em cada 10 destes casos poderiam ser evitados se os sinais do problema fossem detectados precocemente, tais como isolamento, tristeza profunda, diminuição do autocuidado e até automutilação, especialmente quando se manifestam ao mesmo tempo. Nestas situações, emergem alguns questionamentos: quais fatores podem influenciar para que esse fenômeno ocorra? Há alguma alteração cerebral que pode levar a este ato? É possível prevenir o suicídio?

Fatores que podem aumentar o risco de suicídio

O suicídio é entendido como todo e qualquer ato intencional que venha a causar danos ao próprio indivíduo – classificado desde 1990 como uma importante questão de saúde pública. É considerado um fenômeno de etiologia multifatorial, que resulta da interação entre fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociológicos, culturais e ambientais. 1

Dentre os fatores desencadeantes mais frequentemente associados ao suicídio destacam-se as dificuldades financeiras, términos de relacionamentos, preconceitos e discriminação a determinados grupos sociais, que muitas vezes podem favorecer o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e uso abusivo de substâncias (como álcool e drogas ilícitas). Dentre os transtornos psiquiátricos, a depressão maior e a depressão bipolar figuram como os principais agravantes da ideação suicida em homens e mulheres de todas as faixas etárias – embora a ideação suicida seja mais predominante no sexo masculino e exacerbada quando estes indivíduos passaram por algum evento estressante. 1,2

Depressão e sua relação com o suicídio

O termo depressão refere-se a um grupo de transtornos psiquiátricos, entre os quais se destaca o transtorno depressivo maior e a depressão bipolar. A etiologia destes transtornos pode envolver muitos fatores (tanto genéticos como ambientais) que contribuem para o desenvolvimento dos sintomas – incluindo tristeza, angústia, desânimo, culpa e alterações no sono, no apetite, na concentração e na libido.

De acordo com os critérios para diagnóstico, a depressão maior é caracterizada pela presença de 5 ou mais dos sintomas descritos na tabela a seguir, que devem estar presentes ao mesmo tempo, quase todos os dias, durante 2 semanas, sendo que um dos sintomas necessariamente deve ser humor deprimido ou perda de interesse e prazer.

Tabela 1 – Critérios avaliados para diagnóstico de depressão maior.

1. Humor deprimido durante a maior parte do dia *
2. Diminuição acentuada do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades durante a maior parte do dia *
3. Ganho ou perda ponderal significativo (> 5%) ou diminuição ou aumento do apetite
4. Insônia (muitas vezes insônia de manutenção do sono) ou hipersonia
5. Agitação ou atraso psicomotor observado por outros (não autorrelatado)
6. Fadiga ou perda de energia
7. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada
8. Capacidade diminuída de pensar, concentrar-se ou indecisão
9. Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, tentativa de suicídio ou um plano específico para cometer suicídio

* Sintomas que, obrigatoriamente, devem estar presentes para confirmação do diagnóstico.

Já na depressão bipolar, o episódio depressivo descrito acima é alternado com episódios de mania – definidos como períodos de mais de 1 semana de humor persistentemente elevado e expansivo (euforia) ou humor irritável associado a pelo menos 3 sintomas descritos na tabela a seguir.

Tabela 2 – Critérios avaliados para diagnóstico do episódio maníaco da depressão bipolar.

1. Autoestima inflada ou grandiosidade
2. Diminuição da necessidade de sono
3. Falar mais do que o habitual
4. Fuga de ideias ou pensamentos acelerados
5. Facilidade em se distrair
6. Aumento das atividades direcionadas a objetivos
7. Envolvimento excessivo em atividades com alto potencial para consequências negativas (p. ex., gastos exagerados e desnecessários, investimentos financeiros sem sentido)

Os sintomas observados nestes transtornos resultam do desequilíbrio de algumas substâncias no cérebro, principalmente dos neurotransmissores monoaminérgicos – que compreendem a serotonina, a dopamina e a noradrenalina, envolvidas no funcionamento de sistemas responsáveis pela regulação da sensação de prazer, do bem-estar físico e mental, do sono e alerta, do humor. Além disso, estes neurotransmissores modulam diretamente os níveis de alguns fatores neurotróficos no sistema nervoso central (SNC), sendo o principal o fator neurotrófico derivado do encéfalo, conhecido como BDNF e envolvido na adaptação ao estresse, na regulação da plasticidade sináptica, do humor e da cognição. Desta forma, a redução dos níveis endógenos destes neurotransmissores e de BDNF é associada com os sintomas de depressão maior, enquanto que oscilações na liberação estão associadas à fase maníaca do transtorno bipolar.

Se por um lado é mais fácil compreender as ideações suicidas durante a fase depressiva, por outro, em pacientes com transtorno bipolar muitas vezes a fase maníaca mascara esses pensamentos. Contudo, é justamente durante esse período, quando o julgamento de risco e o raciocínio lógico estão comprometidos, que muitas vezes os pacientes acabam cometendo o ato. Neste sentido, a atenção e o cuidado para com estes pacientes são primordiais para amenizar os sintomas e evitar que os pensamentos suicidas tornem-se recorrentes e fatais. 3,4

 

Setembro Amarelo

A campanha dedicada à prevenção do suicídio é mundialmente conhecida como “Setembro Amarelo” em homenagem ao norte americano Mike Emme, que em 1997 (aos 17 anos de idade) cometeu suicídio dentro de seu carro, um Mustang amarelo. Inconformados por não terem percebido o sofrimento psicológico pelo qual o jovem passava, familiares e amigos distribuíram durante seu velório cartões com fitas amarelas que continham a mensagem "Se você precisar, peça ajuda". A história se espalhou rapidamente por todo o país e, desta forma, a fita amarela se tornou o símbolo de um movimento importante de prevenção ao suicídio. Em 2003, a OMS instituiu o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio (10 de setembro) e utilizou a fita amarela para representar a campanha que visa sensibilizar e conscientizar a população sobre o tema. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida é um importante aliado na prevenção do suicídio, oferecendo apoio emocional gratuito, de forma voluntária, 24 horas por dia, pelo telefone 188, por e-mail ou chat pelo site da instituição.

Como podemos prevenir ou ajudar quem está ao nosso redor?

Apesar do estigma existente acerca do tema, a depressão decorre de alterações neuroquímicas em nosso cérebro, e precisa de tratamento como qualquer outra doença. Quando uma pessoa procura o cardiologista, por exemplo, e detecta que é necessário fazer o uso de medicamentos para a hipertensão, raramente irá se recusar a fazer o tratamento. Contudo, quando se olha para as doenças psiquiátricas, ainda há muita resistência por parte dos pacientes em aceitar o diagnóstico e o tratamento.

Conforme descrito, a base da neurobiologia da depressão consiste principalmente em alterações no sistema de neurotransmissão monoaminérgico. Logo, o tratamento farmacológico da depressão consiste especialmente em reestabelecer os níveis destas monoaminas no cérebro. Contudo, uma parcela significativa dos pacientes não responde bem à terapia convencional disponível. Neste contexto, outras estratégias podem auxiliar na redução dos sintomas, seja através do aumento de monoaminas cerebrais ou através da modulação da liberação do BDNF. Estudos têm demonstrado que as suplementação com nutracêuticos como o SAM-e (S-adenosil-L-metionina), o Saffron (Crocus sativus), a L-teanina (2-amino-4-etil-butírico), a palmitoiletanolamida (PEA) e o 5-hidroxitriptofano (5-HTP) podem contribuir para melhora do humor em quadros de depressão. Além disso, a prática regular de exercício físico e a psicoterapia são intervenções que podem complementar a terapia com nutracêuticos, contribuindo para a redução dos sintomas da depressão. Vale ressaltar, ainda, que o acompanhamento com profissional habilitado é essencial para manter o paciente estável e afastá-lo da possibilidade de alimentar a ideação suicida. 5,6

 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

Prescritores e farmacêuticos que desejarem obter mais informações sobre os nossos insumos podem entrar em contato com o nosso SAC por meio do e-mail sac@activepharmaceutica.com.br ou pelo 0800 001 1313.

Será um prazer atendê-los!

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