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Probióticos, prebióticos, simbióticos e paraprobióticos: você sabe quais são as diferenças entre eles?

Publicado em 29 de junho de 2021.

A microbiota pode ser definida como o conjunto de microrganismos (incluindo bactérias, fungos, protozoários e vírus) que colonizam os tecidos e fluidos de um ser vivo, estabelecendo uma relação de comensalismo ou de simbiose. Nos seres humanos, a microbiota é constituída por trilhões de microrganismos, que exercem papeis fundamentais em vários processos biológicos, tais como digestão de alimentos complexos, síntese e absorção de vitaminas e nutrientes, regulação de vias de sinalização do sistema nervoso central, imunomodulação, entre muitos outros. 1,2

A composição da microbiota humana pode variar ao longo de toda a vida, sob a influência de características endógenas e fatores ambientais, tais como a dieta e o estilo de vida. Além disso, varia de acordo com a sua localização anatômica, sendo que apenas no intestino de um indivíduo adulto e saudável podem ser encontradas cerca de 160 espécies distintas de microrganismos. Enquanto o equilíbrio – ou homeostase – nesta composição contribui para o funcionamento adequado de todo o organismo, alterações no número e/ou na diversidade de determinados microrganismos (condição conhecida como disbiose) têm sido associadas ao desenvolvimento de diversas doenças. 3

Neste contexto, estudos demonstram que ao serem consumidos através de alimentos funcionais ou de suplementação, os probióticos, prebióticos, simbióticos e paraprobióticos auxiliam na manutenção da microbiota e fornecem inúmeros benefícios à saúde humana. Mas afinal, você sabe quais são as diferenças entre eles e como atuam em nosso organismo?

Probióticos

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), probióticos podem ser definidos como microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro. Além disso, para serem classificados como probióticos, estes microrganismos devem atender a uma série de critérios, incluindo:

  • Serem seguros para o consumo humano ou não serem patogênicos;
  • Serem estáveis e resistentes ao pH gástrico e às enzimas digestivas;
  • Serem capazes de sobreviver à passagem pelo trato gastrointestinal;
  • Aderirem-se à parede epitelial das células intestinais;
  • Possuir atividade antimicrobiana contra bactérias potencialmente patogênicas;
  • Apresentarem benefícios clinicamente comprovados ao ser humano.

Popularmente conhecidos como “microrganismos do bem”, ao colonizarem nosso organismo afetam positivamente a composição da microbiota, visto que competem com microrganismos patogênicos pela adesão às mucosas e pela captação de nutrientes, reduzindo a proliferação e o risco de infecções. Além disso, os probióticos produzem e secretam uma série de enzimas e metabólitos (tais como ácidos graxos de cadeia curta, aminas biogênicas e bacteriocinas) que favorecem a digestão de alimentos, bem como promovem o melhor funcionamento do sistema imunológico e do eixo microbiota-intestino-cérebro, contribuindo para a regulação dos níveis de estresse, de nossas emoções e comportamentos. Ainda, cada probiótico pode resultar em benefícios específicos ao organismo humano, sendo estes microrganismos identificados e classificados através de técnicas moleculares e fenotípicas, sendo catalogados de acordo com seu gênero, espécie, subespécie e cepa. 4,5

Os probióticos podem ser obtidos através do consumo de produtos lácteos e de alguns alimentos fermentados, bem como através da suplementação com diferentes formas farmacêuticas, o que confere maior praticidade e segurança, além de possibilitar o consumo por indivíduos em regimes alimentares especiais (vegetarianos e veganos) ou que possuam alergias alimentares. Neste contexto, dentre os microrganismos comumente empregados em formulações para suplementação de probióticos destacam-se diferentes espécies de bactérias pertencentes aos gêneros Lactobacillus (incluindo L. acidophilus, L. rhamnosus, L. plantarum, L. reuteri, L. casei, L. paracasei, L. bulgaricus, L. salivarius e L. johnsonii), Bifidobacterium (como B. bifidum, B. lactis, B. adolescentis, B. breve e B. longum), Enterococcus (E. faecium) e Streptococcus (S. thermophilus), bem como a levedura Saccharomyces boulardii. 3

Prebióticos e simbióticos

Estudos vêm demonstrando que os hábitos de vida influenciam diretamente a composição da microbiota humana. Desta forma, alguns constituintes presentes nos alimentos que fazem parte da nossa dieta – chamados de prebióticos – são capazes de promover o crescimento de microrganismos probióticos e, assim, resultar em benefícios para a nossa saúde. Dentre estes constituintes estão as fibras alimentares, carboidratos não digeríveis encontrados em alimentos derivados de vegetais, tal como o amido, a inulina, a celulose, a hemicelulose, além de pectinas, gomas e mucilagens. 3,7

Embora resistam à hidrólise pelas enzimas digestivas humanas no intestino delgado, estes carboidratos podem ser fermentados por bactérias presentes na microbiota do intestino grosso, gerando metabólitos como os ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs). Os SCAFs (incluindo acetato, propionato e butirato) são produtos biologicamente ativos, que têm sido amplamente estudados e associados à modulação do metabolismo energético celular, das repostas imunes, do funcionamento do sistema nervoso central, entre outros processos biológicos. 3,7

Desta forma, para que uma substância seja considerada um prebiótico deve:

  • Não ser digerida (ou ser apenas parcialmente digerida) nos segmentos superiores do trato gastrointestinal, permanecendo disponível para a fermentação bacteriana no intestino grosso;
  • Ser utilizada como substrato e fermentada por bactérias potencialmente benéficas à saúde humana;
  • Após fermentação bacteriana, levar ao aumento da síntese ou de diferentes ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs);
  • Estimular o crescimento e/ou a atividade das bactérias intestinais potencialmente associadas à melhora da saúde humana e do bem-estar;
  • Resistir às condições de processamento de alimentos e permanecer inalterado, não degradado ou quimicamente inalterado, e disponível para o metabolismo bacteriano no intestino.

Os prebióticos podem ser consumidos ​​isoladamente ou em associação aos probióticos, através de alimentos ou suplementos funcionais denominados de simbióticos – que além do valor nutritivo inerente à sua composição química, também oferecem vários benefícios à saúde humana ao modularem positivamente a microbiota intestinal.

Paraprobióticos

Embora inicialmente tenha sido proposto que apenas microrganismos metabolicamente ativos seriam capazes de promover efeitos benéficos à saúde humana, atualmente tem sido demonstrado que a suplementação com células microbianas não viáveis ou frações celulares de microrganismos probióticos também resulta em benefícios semelhantes. Chamadas de paraprobióticos (e também conhecidos como probióticos inativados ou probióticos fantasmas), estas células ou fragmentos celulares têm sido empregados como uma alternativa ao uso de probióticos em populações que demandam maior atenção, especialmente indivíduos imunocomprometidos e pacientes pediátricos ou neonatos – nos quais os riscos potenciais associados ao consumo de microrganismos vivos podem ser particularmente relevantes. 8,9

Geralmente, a inativação destes microrganismos ocorre através de tratamento térmico (pasteurização, esterilização e tindalização), mas também pode ser realizada por exposição a raios ultravioleta ou gama, alta pressão, sonicação, substâncias químicas (como formaldeído) e ozonização. Apesar de estes processos comprometerem a viabilidade e proliferação destas células ao promoverem a ruptura do DNA ou da membrana celular, estas células continuam apresentando padrões moleculares associados a microrganismos (PAMPs, do inglês pathogen-associated molecular pattern) que são reconhecidos por receptores toll-like (TLR) presentes na membrana de células epiteliais intestinais. A interação dos PAMPs com estes receptores, por sua vez, resulta na ativação de vias de sinalização intracelular (tais como a do fator de transcrição NF-kB) e induz a expressão de mediadores inflamatórios importantes para a regulação das respostas imunes no organismo. Além disso, processos de inativação que preservam a integridade da membrana celular destes microrganismos também resultam em um efeito de mimetismo celular e exclusão competitiva, visto que são capazes de aderir às microvilosidades do epitélio intestinal, inibindo a colonização e proliferação por patógenos, bem como favorecendo o crescimento de espécies comensais – incluindo Lactobacillus sp. e Bifidobacterium sp.

 

 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

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