Central de Atendimento: 0800 001 1313 (48) 98805-5513

Blog

O papel da melatonina na resposta imune: evidências recentes da literatura e Covid-19

Publicado em 14 de janeiro de 2021.

A melatonina é conhecida por seus efeitos cronobióticos, regulando diferentes funções fisiológicas ligadas aos ritmos circadianos.

Leia mais sobre os efeitos fisiológicos da melatonina clicando aqui.

Mais recentemente, tem sido demonstrado que a melatonina pode exercer efeitos moduladores sobre a resposta imune por meio de suas ações antioxidantes, anti-inflamatórias e anti-apoptóticas. Isso porque a melatonina é sintetizada não só pela glândula pineal, mas também sob demanda pelas células do sistema imunológico, ou seja, em resposta a uma agressão ou ataque por um agente infeccioso.

Na presença de agente infeccioso ou corpo estranho, o sistema imunológico é capaz de desencadear um processo inflamatório como resposta protetora, estimulando a liberação de citocinas e outros mediadores pró-inflamatórios. Em algumas condições (como infecções virais e doenças autoimunes) essa resposta inflamatória pode acontecer de forma exagerada levando a uma “tempestade de citocinas”, também chamada hipercitocinemia. Nestes casos, a inflamação local e sistêmica pode se tornar crônica e levar à disfunção de alguns órgãos e até mesmo à sepse (infecção generalizada).

Tem sido demonstrado que o vírus SARS-CoV-2, responsável pela doença COVID-19, é capaz de induzir à resposta inflamatória exacerbada, que está relacionada às manifestações clínicas graves desta condição, incluindo lesão pulmonar e síndrome respiratória aguda grave.

Neste sentido, diversos estudos pré-clínicos em culturas celulares e modelos animais, evidenciaram que a melatonina é capaz de reduzir as espécies reativas de oxigênio e a produção de citocinas pró-inflamatórias, além de proteger a função mitocondrial e prevenir a apoptose, que é a morte celular. Atuando por diferentes vias além do local de inflamação, a melatonina poderia neutralizar a resposta inflamatória sistêmica e atenuar tanto a progressão das infecções quanto as manifestações clínicas associadas.

A enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2) presente nas células endoteliais dos pulmões funciona como um receptor para a proteína spike (S-spike) do coronavírus. O papel fisiológico da ECA2 nas vias respiratórias está relacionado ao efeito protetor e vasodilatador.  Quando o SARS-CoV-2 se liga à ECA2 há uma desregulação da atividade desta enzima, levando à replicação e liberação das partículas do vírus e às manifestações clínicas da infecção, incluindo síndrome respiratória aguda grave, pneumonia e lesões pulmonares, observadas na COVID-19. Neste sentido, a melatonina secretada pelas células de defesa que estão nos pulmões (especialmente os macrófagos) pode apresentar efeito antioxidante, neutralizando o excesso de espécies reativas de oxigênio (ROS), assim como suprimir as vias inflamatórias e limitar os danos causados pela tempestade de citocinas que estão diretamente relacionados à gravidade das lesões pulmonares na COVID-19. (ADAPTADO DE CHENG ET AL., 2021)

 

Nos últimos dias, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Melatonin Research, ganhou grande repercussão ao demonstrar que a melatonina sintetizada pelas células pulmonares poderia ser uma barreira à infecção pelo coronavírus. O objetivo do estudo foi avaliar se havia relação entre a capacidade dos pulmões em sintetizar melatonina e a expressão de genes que facilitam a invasão e proliferação do coronavírus. Para isso, foram utilizadas ferramentas de bioinformática, dados de sequenciamento genético e células pulmonares de animais. Ao final do estudo, os pesquisadores demonstraram que a síntese de melatonina pelas células pulmonares dificultaria a entrada do coronavírus nestas células o que pode justificar, por exemplo, a existência de pacientes assintomáticos. Assim, é sugerido que os níveis de melatonina mensurados através de um índice de expressão gênica (que os pesquisadores chamaram de MEL-Index) seria um biomarcador preditivo na transmissão do coronavírus em pacientes assintomáticos, auxiliando no controle da pandemia.  Além disso, os pesquisadores supõem que a administração de melatonina pela via intranasal em pacientes pré-sintomáticos, com diagnóstico laboratorial positivo para o coronavírus, poderia limitar a evolução da infecção e as manifestações clínicas. Apesar dos resultados muito promissores, são necessários estudos clínicos em humanos, a fim de determinar a dose e a forma farmacêutica adequada, assim como o esquema terapêutico que proporcione a resposta terapêutica esperada.

O trabalho completo pode ser acessado neste link.

O potencial terapêutico da melatonina na modulação do sistema imunológico, especialmente limitando a “tempestade de citocinas”, permanece sendo explorado na prevenção da progressão de síndrome respiratória aguda grave e insuficiência respiratória e poderia beneficiar pacientes com infecções respiratórias virais, como a COVID-19. Além disso, o papel da melatonina tem sido avaliado como adjuvante na eficácia da vacinação contra o coronavírus.

A melatonina é um hormônio e só pode ser dispensada mediante prescrição médica. Ressaltamos que, atualmente, não há tratamento ou suplemento direcionados para a prevenção ou tratamento da doença COVID-19. Estudos seguem sendo conduzidos em diferentes países e alguns resultados tem sido promissores.

Cuidado com as fake news! Use a informação sempre ao seu favor!

 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

Prescritores e farmacêuticos que desejarem obter mais informações sobre os nossos insumos podem entrar em contato com o nosso SAC através do e-mail sac@activepharmaceutica.com.br ou pelo 0800 001 1313.

Será um prazer atendê-los!

 

        Literaturas consultadas

  • https://www.evolutamente.it/covid-19-pneumonia-inflammasomes-the-melatonin-connection/; Acesso em 01/2021.
  • Cardinali, D. P., Brown, G. M., & Pandi-Perumal, S. R. (2021). An urgent proposal for the immediate use of melatonin as an adjuvant to anti- SARS-CoV-2 vaccination. Melatonin Research, 4(1), 206–212. https://doi.org/10.32794/mr11250091
  • Cheng, F., Rao, S., & Mehra, R. (2020). COVID-19 treatment: Combining anti-inflammatory and antiviral therapeutics using a network-based approach. Cleveland Clinic Journal of Medicine, 1–6. https://doi.org/10.3949/ccjm.87a.ccc037
  • Fernandes, P. A., Kinker, G. S., Navarro, B. V, Jardim, V. C., Ribeiro-Paz, E. D., Córdoba-Moreno, M. O., … Markus, R. P. (2021). Melatonin-Index as a biomarker for predicting the distribution of presymptomatic and asymptomatic SARS-CoV-2 carriers. Melatonin Research, 4(1), 189–205. https://doi.org/10.32794/mr11250090
  • FUNG, Sin-yee; YUEN, Kit-san; YE, Zi-wei; CHAN, Chi-ping; JIN, Dong-yan. A tug-of-war between severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 and host antiviral defence: lessons from other pathogenic viruses. Emerging Microbes & Infections, [s.l.], v. 9, n. 1, p.558-570, 1 jan. 2020. Informa UK Limited.
  • Gurunathan, S., Kang, M.-H., Choi, Y., Reiter, R. J., & Kim, J.-H. (2021). Melatonin: A potential therapeutic agent against COVID-19. Melatonin Research, 4(1), 30–69. https://doi.org/10.32794/mr11250081
  • SILVESTRI, Michela; A ROSSI, Giovanni. Melatonin: its possible role in the management of viral infections-a brief review. Italian Journal Of Pediatrics, [s.l.], v. 39, n. 1, p.61-65, 2013. Springer Science and Business Media LLC.
  • YUEN, Kit-san; YE, Zi -wei; FUNG, Sin-yee; CHAN, Chi-ping; JIN, Dong-yan. SARS-CoV-2 and COVID-19: The most important research questions. Cell & Bioscience, [s.l.], v. 10, n. 1, p.327-345, 16 mar. 2020. Springer Science and Business Media LLC. 
  • ZHANG R.; WANG X.; NI L.; et al., COVID-19: Melatonin as a potential adjuvant treatment, Life Sciences (2020), https://doi.org/10.1016/ j.lfs.2020.117583

Confira mais