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Gerenciamento do peso corporal e “efeito browning”: papel do tecido adiposo marrom no metabolismo

Publicado em 08 de junho de 2021.

O tecido adiposo é um tipo de tecido conjuntivo constituído por células especializadas denominadas de adipócitos, que armazenam em seu citoplasma uma grande quantidade de gordura, principalmente sob a forma de triglicerídeos – ésteres de ácidos graxos e glicerol, sintetizados a partir do excesso de calorias proveniente dos alimentos. Devido a esta característica, o tecido adiposo atua como isolante térmico e como reserva energética para o organismo, garantindo o funcionamento celular adequado mesmo em situações adversas (tais como frio intenso e períodos prolongados de jejum ou restrição alimentar). 1

Embora estas importantes propriedades tenham sido determinantes para permitir a sobrevivência da espécie humana ao longo de sua evolução, nossos hábitos alimentares e condições de vida mudaram drasticamente nos últimos séculos, sendo que atualmente tanto a disponibilidade de alimentos quanto o teor calórico dos mesmos é muito maior. Como consequência, quando a ingestão de calorias excede as necessidades energéticas do metabolismo e isto se repete com frequência, é observado um acúmulo excessivo de gordura no tecido adiposo que, por sua vez, tem sido relacionado ao aumento do peso corporal e do risco de desenvolvimento de diferentes doenças (incluindo obesidade, síndrome metabólica, dislipidemias, diabetes, doenças cardiovasculares, entre muitas outras). 1,2

Mas você sabia que, na verdade, existem diferentes tipos de tecido adiposo e que nem todos exercem efeitos negativos sobre a nossa saúde? 

Nas últimas décadas, estudos vêm demonstrando a existência de dois tipos de tecido adiposo: o unilocular (também chamado de branco ou comum) e o multilocular (mais conhecido como tecido adiposo marrom ou pardo), que diferem quanto às características morfológicas de seus adipócitos, localização e distribuição corporal, bem como função biológica. 

O tecido adiposo unilocular (cuja coloração pode variar do branco ao amarelo escuro) representa a maior parcela do tecido adiposo em adultos, e está localizado principalmente sob a pele e ao redor de alguns órgãos. Neste tecido, os adipócitos armazenam os triglicerídeos em uma única gota, que ocupa a porção central da célula e desloca o núcleo e as demais organelas para a periferia. Além de armazenar gordura, o tecido adiposo unilocular também sintetiza e secreta hormônios que atuam em todo o organismo, auxiliando na regulação do metabolismo e da ingestão alimentar – tal como a leptina e a adiponectina. 2

Já o tecido adiposo multilocular está presente em maior quantidade nos recém-nascidos, sendo encontrado em quantidades reduzidas em indivíduos adultos, principalmente na região do pescoço e ao redor dos rins. Este tecido é altamente vascularizado e constituído por adipócitos menores, que possuem núcleo central e várias gotículas de gordura espalhadas pelo seu citoplasma, bem como contêm um grande número de mitocôndrias – organelas ricas em citocromos, o que lhes confere uma coloração castanha. Ainda, além de armazenar lipídeos, o tecido adiposo multilocular é especializado na termogênese – produção de calor a partir da oxidação dos ácidos graxos – e, portanto, é o principal responsável pela manutenção da temperatura corporal. 2,3

Principais diferenças entre o tecido adiposo unilocular e multilocular (marrom).

 

Dentre outros fatores, a termogênese no tecido adiposo marrom é estimulada pelo sistema nervoso autônomo simpático, a partir da interação da noradrenalina com os receptores β3-adrenérgicos presentes na membrana plasmática dos adipócitos. Esta interação resulta na ativação de uma cascata de transdução de sinal intracelular que favorece a expressão da proteína desacopladora 1 (UCP1, também conhecida como termogenina). A UCP1 é uma proteína presente na membrana das mitocôndrias, onde estimula a termogênese ao interromper o fluxo de elétrons da cadeia respiratória e a fosforilação oxidativa, gerando calor ao invés de trifosfato de adenosina (ATP). Como consequência, ocorre um aumento da oxidação mitocondrial de ácidos graxos através de um processo catabólico conhecido como β-oxidação, pelo qual a energia gerada é conservada na forma de ATP. 1

Atualmente, diversos estudos vêm demonstrando que a proporção de tecido adiposo marrom presente no organismo contribui para o metabolismo de lipídeos, favorece o gerenciamento do peso corporal, melhora a tolerância à glicose e a sensibilidade à insulina, o que pode auxiliar na prevenção de diferentes doenças. Além disso, alguns fatores podem induzir a conversão de tecido adiposo branco em tecido adiposo marrom – um processo conhecido como browning – e, assim, promover a melhora de parâmetros metabólicos. Dentre estes, frio (temperaturas inferiores a 16 graus Celsius), exercícios físicos, hormônios (incluindo hormônios tireoidianos e melatonina) e até mesmo compostos naturais consumidos como nutracêuticos (tais como alguns capsinoides, alcaloides, flavonoides, antocianidinas, catequinas, entre outros), que podem inclusive ser utilizados como possíveis abordagens para estimular o efeito browning. 1,4-7

 

 

As informações fornecidas neste blog destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para a orientação de um profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. As informações aqui apresentadas não têm o objetivo de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.

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